15 Agosto, 2011

Mastigando Humanos - Um romance psicodélico

Mastigando Humanos narra à história de um jacaré frustrado e existencialista que fala sobre sua infeliz vida de réptil que vive em um esgoto da cidade grande, além de partilhar junto a  ratos autoritários, sapos boêmios e mais diversos outros animais (racionais ou não), de estranhos e loucos acontecimentos, além da eterna procura de seu lugar na metrópole.

O "romance psicodélico" escrito por Santiago Nazarian, nascido em São Paulo e que também é filho de artistas, pode ser considerado uma crítica ao sistema, além de diversão garantida ao leitor devido a narrativa simples e a curiosa inclusão de nomes de estações de metrô como nomes dos personagens da trama. Outra obra bastante conhecida de Nazarian é O Prédio, o Tédio e o Menino Cego que também vale muito a pena ler!

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Trecho:


“... Não espero que todos vocês entendam. Afinal, só posso descrever experiências sinestésicas como essas com palavras.
Sem o devido estímulo das papilas, uma refeição como essas não passa de poesia – ou assassinato. E eu mesmo defendi que o que importa é a fome. Queria que minhas palavras pudessem abrir o espaço vazio nos seus estômagos; lendo tarde da noite vocês pudessem lamber os beiços. Mas nem sei se acabaram de jantar, se são vegetarianos, macrobióticos, se o que apreciam mesmo é um bom filé de rabo de jacaré. Quem de vocês poderia entender a magia que se produz com a língua numa coxa tenra e bronzeada? Quem de vocês preferiria uma galinha morta?
A textura elástica da pele se rompendo com meus dentes. São tantos. Tantos dentes para trabalhar que os centímetros de elasticidade se rompem como a casca de um tomate para revelar a polpa quente, vermelha, vibrante. Com o coração ainda batendo – acelerado pelo meu ataque – fazendo seu caldo escorrer mais rápido para dentro da minha garganta. Dai a carne doce e macia se misturando ao caldo, se exercitado em sua tentativa de fuga. Os músculos em movimento, minhas mandíbulas. Separando-se dos ossos, dançando no meu estômago. Cálcio no cálcio, meus dentes nos ossos, indicando que cheguei à profundeza máxima do ser. Ah...
Perdoem-me.
Se eu fosse narrar meus próximos dias naquelas profundezas, seria assim, uma descrição sem cessar de abrir e fechar bocas. Foi isso o que eu fiz, mastiguei...”

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Onde encontrar:

1 comentários:

  1. Wakala!!! Que descrição mais minuciosa de uma bela bocada de Jacaré.
    O livro deve ser muito divertido.

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